O Conservador de Conveniência
Por Zéka Netta
Outro dia me chamaram de conservador.
Eu agradeci… mas perguntei: “Conservador de quê?”
Porque hoje em dia tem gente conservando só o próprio público.
Conservando engajamento.
Conservando monetização.
Conservando plateia irritada para continuar vendendo indignação em cápsulas diárias.
E vou dizer uma coisa que muita gente não gosta de ouvir: existe uma diferença berrante entre ser conservador e ser conveniente.
O conservador de verdade carrega princípios mesmo quando eles lhe custam amigos, votos, contratos ou aplausos. Já o conveniente muda o discurso conforme o algoritmo sopra. Um dia é patriota inflamado, no outro faz vista grossa para aquilo que ontem chamava de corrupção moral. Tudo depende de quem fez, de quem paga ou de quem compartilha.
Virou uma espécie de “militância gourmet”.
Tem camiseta da pátria, bandeira na bio, frase de efeito pronta e até trilha sonora épica… mas falta coluna vertebral.
E antes que pensem que estou defendendo o outro lado, já aviso: a esquerda também virou especialista em conveniência emocional. Transformaram certas causas em vitrines afetivas. Há pautas que deixaram de ser humanas para virar produto ideológico. Tudo é slogan. Tudo é performance. Tudo é embalagem.
O problema é que muitos dos que se dizem de direita começaram a copiar exatamente aquilo que juravam combater.
Criaram os “influenciadores da moral seletiva”.
Gente que fala de família enquanto destrói pessoas em praça pública por audiência.
Que fala de Deus como marketing de pertencimento.
Que fala de patriotismo como quem vende boné, caneca e assinatura premium.
E o povo?
O povo mistura amor pela pátria com palavras de ordem comerciais. Confunde fé com torcida organizada. Confunde caráter com bordão repetido em vídeo curto.
Patriotismo de verdade não é gritar mais alto.
É ter coragem de permanecer honesto mesmo quando o seu lado erra.
Mas isso dá pouco clique.
Hoje há pessoas que não defendem valores; defendem mercado. Não defendem princípios; defendem nichos. Precisam manter a própria bolha alimentada com raiva constante, porque a raiva fideliza mais rápido que a reflexão.
E assim seguimos:
uma esquerda vendendo revolução em parcelas emocionais
e uma direita vendendo tradição em combos promocionais.
Enquanto isso, quem pensa de verdade vira traidor para os dois lados.
Eu continuo acreditando que existem conservadores honestos, assim como existem progressistas sinceros. O problema não está em pensar diferente. O problema é transformar convicção em comércio e consciência em palanque.
Porque quando a conveniência veste a roupa do conservadorismo, ela não protege valores… apenas aprende a faturar com eles.
Alguém viu campanha tão ferrenha quanto a do ano passado com os chinelos e está semana com os detergentes com a CPI do roubo do INSS e do Banco Master ? Não viram porque Não lhes era conveniente.
E isso, meus amigos, já não é ideologia.
É publicidade emocional fantasiada de virtude.
— Zéka Netta

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