No espírito ácido, debochado e cintilante de Zéka Netta — aquele que fala sorrindo enquanto a verdade morde:
__NÃO FOI A ALEMANHA QUE HUMILHOU O BRASIL, MEU BEM — FOI O BRASIL QUE SE ESPECIALIZOU EM PASSAR VERGONHA SOZINHO.
Ah, o chanceler alemão… Que criatura cruel! Veio ao Brasil, respirou nosso ar gourmetizado por esgoto a céu aberto, encarou mosquitos dignos de filme B, viu valetas que desafiam a biologia e depois… ousou dizer a verdade. Quase um pecado capital por aqui: falar sem filtro. Quem mandou?
Mas vamos combinar: Friedrich Merz não disse nada que o brasileiro não tenha aprendido ainda no berçário, junto com o esquema de desviar de buraco na rua e o truque de reconhecer hospital pela cor do mofo na parede. O homem só verbalizou o óbvio ululante. Se doeu? Claro que doeu. Mas a verdade dói mais do que fila de UP A sem ar-condicionado.
O Brasil virou um caricaturão de si mesmo, aquele meme vivo que ninguém tem coragem de levar a sério — exceto os políticos, que vivem num Minecraft particular, cheio de gabinetes acolchoados, jatinhos estacionados e tapete vermelho para os próprios egos. Distantes do povo como se o brasileiro médio fosse um animal exótico, encontrado apenas em documentários do Discovery.
Enquanto isso, o brasileiro real — você, eu, o tio do pastel e a moça do caixa — vive num labirinto montado por algum engenheiro bêbado: ônibus que quebram, escolas que derretem, hospitais que funcionam com fita isolante e oração, sem mencionar a falta de remédios por exemplo a farmácia especial do estado está sem liraglutida a pelo menos 6 meses e até agora nada, nadamos todos nós na vertente da hipocrisia. E quando a Alemanha aponta o caos? Os políticos correm para as câmeras com aquele patriotismo de ocasião, tentando convencer a plateia de que somos todos Brasil. Mas não demora muito para correrem às redes sociais e apagar vídeos e mensagens porque falaram o que não deviam, né mesmo valentões...Hahahahaha.
Ah, claro. Eles no camarote, nós no fundão espremido. Mesmíssima vibe, né?
Belém? Coleta 20% do esgoto. O resto é jogado direto na natureza, que já deveria ter pedido exoneração há décadas. O Brasil? Trata menos da metade. Cem milhões de pessoas convivendo com a própria sujeira, como se fosse item decorativo. Temos aluno estudando em contêiner, rua que só existe no Google Maps e hospital onde o sujeito só não divide a maca com mais gente porque fisicamente não cabe, e se coubesse tentariam colocar 3 na mesma maca.
E aí vem o teatro nacional: os governantes, indignadíssimos, jurando que Merz atacou a honra da pátria. Nada disso — ele só leu o boletim. Ruim, inclusive. Repetente crônico.
E os organizadores colocaram em desfile humilhantes pobres figurantes de baixo cachê vestidos de animais que nem existem na Amazônia, apenas na cabeça da bolha liderados por Di caprio e Greta sem rumo. Vi urso polar, leão e girafa, pra acabar esta visão distorcida. E vou me reservar a não comentar sobre o caipora...
Enquanto o país investe menos em infraestrutura do que um adolescente investe em caderno no início do ano, a elite política segue plena, distribuindo migalhas em cores vibrantes, embaladas em campanhas emocionantes. “Olha aqui sua ilusão quentinha do dia, cidadão. Aproveite que amanhã tem mais.”
Cazuza já tinha cantado. O Estado brasileiro é aquele pai ausente que aparece só para trazer raspas e restos — secos e duros — dizendo que é banquete. E o povo, paciente como sempre, agradece.
No final das contas, o escândalo nunca foi o que o chanceler falou. O escândalo é o Brasil inteiro fazendo cara de surpresa, como se não soubesse, como se não visse, como se não vivesse. A treva não está na frase. A treva é a realidade que ela ilumina.
E, honestamente? Se alguém humilhou o Brasil, não foi a Alemanha. Foram os próprios brasileiros no poder, especialistas em constranger a nação desde 1500 — e sem previsão de aposentadoria, jogando tifo abaixo do tapete já carcomido pela ditadura da toga e o marionete da vez que só conta até 9 ou 19 se usar os pés.
Tapetao bilionário chamado sigilo de cem anos que esconde gastos absurdos e errado era o governo anterior que só escondia quem visitava a casa nos finais de semana e feriados.
Há quem diga que um certo ministro do STF balbuciou: _Vontade de pedir 48H para...
O outro disse: __ Para! Chega de achar quem manda no mundo todo, por enquanto só no brasilis.

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