Em muitos bairros da cidade é comum ver faixas e discursos agradecendo vereadores ou lideranças políticas pela chegada do asfalto em determinada rua. Mas a reflexão que precisa ser feita pela população é simples: será que o cidadão deve agradecer por um direito que já é pago com os seus próprios impostos?
A situação lembra alguém que vai até um caixa eletrônico, digita sua senha, retira o dinheiro da própria conta e ainda agradece ao banco pelo valor sacado. O dinheiro já era seu. Da mesma forma acontece com as obras públicas. O asfalto não sai do bolso de vereador, secretário ou de qualquer político. Ele é pago pelo cidadão através dos impostos recolhidos diariamente.
Muitas vezes cria-se a falsa ideia de que determinado vereador “fez” a obra sozinho. Na prática, o vereador pode até reivindicar, indicar ou cobrar melhorias, mas quem realmente possui a responsabilidade direta pela execução das obras é o Poder Executivo, através do prefeito e da Secretaria de Viação e Obras.
É importante que a população compreenda o verdadeiro papel de cada representante público. O vereador fiscaliza, cobra e apresenta pedidos da comunidade. Já a execução depende da administração municipal, do planejamento da prefeitura e da aplicação dos recursos públicos.
O problema é que algumas obras acabam sendo tratadas como favores políticos, quando na verdade deveriam ser vistas como obrigação da administração pública. Afinal, o morador paga IPTU, impostos sobre consumo, taxas e diversos tributos justamente para que infraestrutura, saúde, educação e demais serviços retornem em benefícios para a sociedade.
Reconhecer o trabalho de quem cobra melhorias é válido, mas transformar direitos básicos em “presentes políticos” acaba enfraquecendo a consciência da população sobre seus próprios direitos. O asfalto, a iluminação, o atendimento na saúde e tantas outras melhorias não são favores. São deveres do poder público para com quem sustenta a máquina pública todos os dias através dos impostos.

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