ACENDEU A ERVA, APAGOU A TAPA O PASSEIO
Um brasileiro resolveu transformar um estádio americano em extensão da varanda de casa. Acendeu sua erva durante um evento esportivo lotado e descobriu, da forma menos agradável possível, que nem todo país funciona no esquema "depois a gente vê no que dá".
O vídeo da abordagem viralizou nas redes sociais e, como sempre acontece por estas bandas digitais, metade da plateia virou jurista, a outra metade especialista em segurança pública, e alguns ainda encontraram tempo para defender que a culpa era do gramado, do sistema solar ou da posição de Mercúrio.
Segundo relatos, o torcedor ignorou as regras do local e resolveu fazer fumaça onde milhares de pessoas estavam reunidas. O policial, por sua vez, mostrou que nos Estados Unidos certas infrações não costumam ser recebidas com um tapinha nas costas e um "não faça isso de novo, campeão".
A cena gerou uma enxurrada de comentários. Um deles resumiu bem a questão: a diferença entre muitos países não está apenas nas leis escritas, mas na disposição de fazê-las valer.
Isso não significa que toda ação policial esteja acima de críticas. Autoridade sem controle vira abuso. Mas liberdade sem responsabilidade também vira bagunça. O problema é que muita gente parece acreditar que regras existem apenas para os outros.
O episódio escancarou um fenômeno curioso: brasileiros que adoram exigir organização, segurança e respeito às normas quando viajam para o exterior, mas que frequentemente carregam na mala os mesmos hábitos que criticam quando estão em casa.
E aqui cabe uma reflexão ainda mais importante.
Há anos discutimos o uso e abuso de drogas entre adolescentes como se fosse um problema distante, restrito às famílias dos outros. Não é. Jovens observam comportamentos muito mais do que discursos. Aprendem mais com exemplos do que com sermões.
Quando um adulto trata o consumo de substâncias como algo banal, divertido ou sinal de rebeldia admirável, ele está enviando mensagens silenciosas para quem ainda está formando sua visão de mundo.
É justamente sobre isso que fala o e-book "ADOrLESCENTE", do Psicoarteterapeuta e Psicanalista Abilio Machado. A obra não se limita a discutir drogas. Ela aborda as feridas emocionais, os vazios afetivos, a busca por pertencimento e os fatores que podem transformar uma experiência ocasional em dependência, sofrimento e perda de projetos de vida.
Porque o debate nunca foi apenas sobre a erva acesa no estádio.
Sempre foi sobre o que estamos acendendo dentro das novas gerações.
E, convenhamos, algumas fumaças custam muito mais caro do que parecem.
Por Zéka Netta
"Tem gente que atravessa o oceano para conhecer outro país e acaba descobrindo apenas que as regras não fizeram a viagem junto com ele."


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