Esse é o governo que diz investir na educação?
Parece piada pronta, mas é a realidade brasileira: o governo que vive discursando sobre a importância da educação resolveu dar uma pequena demonstração prática de seu compromisso... suspendendo os repasses para as universidades federais.
É aquela velha história: na propaganda, a educação é prioridade. No orçamento, ela entra na fila de espera.
Após um contingenciamento de R$ 1,6 bilhão no Ministério da Educação, reitores receberam o recado mais brasileiro possível: "os recursos serão pagos". Quando? Ninguém sabe. Como? Também ninguém sabe. Mas confie. Afinal, planejamento é um luxo que universidade pública aparentemente não merece.
O pior que são 20 anos fazendo isso mas só foi considerado ilegal nos sofríveis 4 anos que Bolsonaro tentou governar sendo chicoteado a todo momento por Morais e suas horas para dar resposta de suas ações como governo. Ao que parece há uma parcialidade protetiva visível.
As instituições agora fazem o que sabem fazer melhor: tentar sobreviver. Empresas terceirizadas aguardam pagamento, fornecedores aguardam pagamento, contratos de manutenção aguardam pagamento. Daqui a pouco só falta os alunos aguardarem a chegada da eletricidade e da água por meio de emenda parlamentar.
O mais curioso é que esta já virou tradição. Pelo terceiro ano consecutivo, as universidades recebem o mesmo tratamento: promessas em janeiro, cortes em maio e esperança em dezembro.
Enquanto isso, os discursos continuam impecáveis. Microfones ligados, slogans atualizados e discursos emocionados sobre o poder transformador da educação. O problema é que laboratórios não funcionam com discursos, bibliotecas não pagam contas com narrativas e universidades não sobrevivem à base de hashtags.
Talvez o novo modelo de gestão seja revolucionário: ensinar matemática sem orçamento, química sem laboratório e administração sem dinheiro. Pelo menos os alunos já estão tendo uma aula prática intensiva sobre como funciona a gestão pública brasileira.
E depois ainda perguntam por que a educação não avança.
A resposta talvez esteja escondida em algum gabinete... aguardando liberação de verba... Afinal é ano de eleição!
Dias antes das eleições o desgoverno liberará dinheiro para as universidades e professores e estudantes o chamarão de painho e os anos sofridos serão esquecidos pela promessa de que na próxima gestão será melhor... E tal como picanha, blusinhas, combustível, combate a corrupção serão esquecidos em prol de uma ideologia que não assume seus erros, a vergonha em assumir o erro ainda é maior que deixar a educação ebó resto ir a bancarrota.

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