LETRAMENTO RACIAL
por Zéka Netta
Rapaz… eu li “Letramento Racial” e achei que era curso novo do MEC.
Pensei:
— “Pronto… agora além de aprender português, matemática e geografia, a criança vai ter que tirar carteira de identidade ideológica na segunda série.”
Daqui a pouco o boletim vem assim:
Matemática: 7,5
Português: 8,0
Ciências: 6,0
Consciência Militante Aplicada: em recuperação.
O mundo anda tão desesperado para classificar gente que inventaram um vocabulário onde ninguém mais é apenas humano.
Agora tudo precisa virar categoria, grupo, etiqueta, divisão, subtítulo e manual de convivência.
A criança chega na escola querendo brincar de pega-pega…
e o adulto já quer transformar o recreio num congresso sociológico da ONU.
Veja bem: combater racismo é necessário.
Educar sobre respeito é obrigação.
Ensinar história verdadeira é honestidade.
Mas existe uma diferença enorme entre conscientizar… e fabricar lentes para que a criança enxergue o mundo exclusivamente pela raça.
Porque dependendo da forma como isso é feito, o sujeito para de olhar pessoas…
e passa a olhar tonalidades Pantone humanas.
“Esse aqui pertence ao grupo A.”
“Aquele ao grupo B.”
“Você fala daqui.”
“Você cala dali.”
“Seu sofrimento vale tanto.”
“O do outro vale menos.”
Daqui a pouco vão criar até bingo social:
— “Negro, branco, pardo, indígena… COMPLETE SUA CARTELA E GANHE UM TRAUMA COLETIVO!”
O problema é que certas ideias nascem dizendo que querem unir…
mas sobrevivem alimentando separação.
E nisso aparece um novo tipo de racismo moderno:
o racismo gourmetizado.
Aquele embalado em palavras acadêmicas, PDFs coloridos e palestras de auditório climatizado.
Porque antigamente o preconceito dizia:
“Você não pode sentar aqui.”
Hoje alguns discursos parecem dizer:
“Você só pode falar daqui.”
Mudou a embalagem…
mas o ser humano continua sendo encaixotado.
E o mais curioso é que muitos adultos projetam nas crianças conflitos que elas nem tinham ainda.
Menino pequeno não nasce odiando cor.
Ele nasce querendo saber quem trouxe bolacha recheada pro lanche.
Mas o adulto moderno olha pra inocência infantil e pensa:
“Isso está pouco politizado.”
Aí começa a catequese ideológica precoce.
Não demora e teremos:
Jardim II Antirracista Avançado;
Prézinho Interseccional;
Maternal de Desconstrução Estrutural.
E o coitado do menino só querendo desenhar dinossauro.
No fim, talvez a maior educação ainda seja aquela velha e quase esquecida: ensinar dignidade, empatia, respeito e humanidade sem transformar cada encontro humano num tribunal identitário.
Porque quando toda conversa começa separando pessoas em blocos…
o risco é terminar esquecendo aquilo que mais assusta os fanáticos de qualquer lado:
que somos todos absurdamente humanos.
#racial #letramento #classificacao #divisao

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