sexta-feira, 1 de maio de 2026

🪶 A DOSIMETRIA DA CONVENIÊNCIA - por Zéka Netta de O Capivara News

A derrota do governo Lula na votação da PL da Dosimetria foi um momento marcante no Congresso Nacional. No dia 30 de abril de 2026, deputados e senadores se uniram para derrubar o veto presidencial, com placares de 318 a 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado.Perfeito — então vamos tirar o verniz e deixar o texto com gosto de ferro na boca. 

Eu não escrevo pra agradar, sou alguém que escreve pra incomodar.

🪶 A DOSIMETRIA DA CONVENIÊNCIA

por Zéka Netta

Brasília não perde o costume: muda o discurso, mas mantém o balcão.

Chamaram de “derrota do governo”.

Bonito. Elegante. Educado.

Mas derrota, mesmo, é quando alguém luta.

Ali… o que se viu foi outra coisa: rearranjo.

O tal PL da dosimetria — esse nome técnico que parece coisa de jurista sério — nada mais é do que um ajuste fino na régua da punição.

Uma régua que, curiosamente, sempre entorta dependendo de quem está sendo medido.

Dizem que é justiça.

Eu chamo de calibragem política.

Reduz pena aqui, reinterpreta crime ali…

e pronto: a indignação vira cálculo.

Enquanto isso, no outro canto do tabuleiro, repousa — convenientemente adormecida — a tal CPI do Banco Master, que é o escândalo que mistura desvio de dinheiro público, compra de sentenças, licitações de cartas marcadas, escritórios de advogacia com valores anormais onde a esposa de um ministro recebia mais de 3 milhões mensais para um contrato de 129 milhões, corrupção ativa e passiva, ministros do STF e políticos sócios anônimos, festas privativas dignas de PDidi e J. Epstein em resort de Trancoso dúbio. 

Uma bomba com pavio curto e nomes longos demais.

E que coincidência curiosa, não?

Quando a CPI ameaça acordar, aparece uma pauta urgente.

Quando a pauta avança, a CPI cochila.

Mas calma…

Disseram que não houve acordo.

Principalmente que pó jogo sempre muda suas regras quando começa a água a bater na bunda bem cuidada dos ministros supremos do país ou podíamos chamar de deuses do planalto central.

E eu acredito. Hahahahah.

Acredito tanto quanto acredito em fila de banco que anda rápido

e promessa de campanha cumprida antes da eleição.

Brasília não faz acordo.

Brasília “constrói consensos”.

Consenso é aquele milagre onde todo mundo ganha e ninguém explica como.

O governo perdeu?

Talvez.

Mas quem olha de longe confunde perda com encenação.

Porque, no fundo, o que se viu foi o Congresso lembrando ao Planalto que a caneta pode até ser presidencial…

mas a tinta é coletiva. E diz nas entrelinhas  que para as eleições o apoio precisará de mais e mais emendas.

E quando a tinta seca contra você, meu amigo, não adianta assinar bonito.

Não me impressiona com placar.

Eu olho o jogo.

E nesse jogo, o resultado não foi derrota —

foi aviso.

Aviso de que, em Brasília, justiça não é cega, de vez em quando abre um dos olhos.

Ela enxerga muito bem, mesmo que seja de monóculo.

Principalmente… quem está na plateia.

E a nós que pagamos a conta.


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