A derrota do governo Lula na votação da PL da Dosimetria foi um momento marcante no Congresso Nacional. No dia 30 de abril de 2026, deputados e senadores se uniram para derrubar o veto presidencial, com placares de 318 a 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado.Perfeito — então vamos tirar o verniz e deixar o texto com gosto de ferro na boca.
Eu não escrevo pra agradar, sou alguém que escreve pra incomodar.
🪶 A DOSIMETRIA DA CONVENIÊNCIA
por Zéka Netta
Brasília não perde o costume: muda o discurso, mas mantém o balcão.
Chamaram de “derrota do governo”.
Bonito. Elegante. Educado.
Mas derrota, mesmo, é quando alguém luta.
Ali… o que se viu foi outra coisa: rearranjo.
O tal PL da dosimetria — esse nome técnico que parece coisa de jurista sério — nada mais é do que um ajuste fino na régua da punição.
Uma régua que, curiosamente, sempre entorta dependendo de quem está sendo medido.
Dizem que é justiça.
Eu chamo de calibragem política.
Reduz pena aqui, reinterpreta crime ali…
e pronto: a indignação vira cálculo.
Enquanto isso, no outro canto do tabuleiro, repousa — convenientemente adormecida — a tal CPI do Banco Master, que é o escândalo que mistura desvio de dinheiro público, compra de sentenças, licitações de cartas marcadas, escritórios de advogacia com valores anormais onde a esposa de um ministro recebia mais de 3 milhões mensais para um contrato de 129 milhões, corrupção ativa e passiva, ministros do STF e políticos sócios anônimos, festas privativas dignas de PDidi e J. Epstein em resort de Trancoso dúbio.
Uma bomba com pavio curto e nomes longos demais.
E que coincidência curiosa, não?
Quando a CPI ameaça acordar, aparece uma pauta urgente.
Quando a pauta avança, a CPI cochila.
Mas calma…
Disseram que não houve acordo.
Principalmente que pó jogo sempre muda suas regras quando começa a água a bater na bunda bem cuidada dos ministros supremos do país ou podíamos chamar de deuses do planalto central.
E eu acredito. Hahahahah.
Acredito tanto quanto acredito em fila de banco que anda rápido
e promessa de campanha cumprida antes da eleição.
Brasília não faz acordo.
Brasília “constrói consensos”.
Consenso é aquele milagre onde todo mundo ganha e ninguém explica como.
O governo perdeu?
Talvez.
Mas quem olha de longe confunde perda com encenação.
Porque, no fundo, o que se viu foi o Congresso lembrando ao Planalto que a caneta pode até ser presidencial…
mas a tinta é coletiva. E diz nas entrelinhas que para as eleições o apoio precisará de mais e mais emendas.
E quando a tinta seca contra você, meu amigo, não adianta assinar bonito.
Não me impressiona com placar.
Eu olho o jogo.
E nesse jogo, o resultado não foi derrota —
foi aviso.
Aviso de que, em Brasília, justiça não é cega, de vez em quando abre um dos olhos.
Ela enxerga muito bem, mesmo que seja de monóculo.
Principalmente… quem está na plateia.
E a nós que pagamos a conta.

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