"Derrota do desgoverno ou apenas uma manobra de poder?!"
Zéka Netta — direto do banco desconfortável da política brasileira
Olha… vou te dizer uma coisa sem nem pedir licença pra diplomacia: chamar isso de “derrota do desgoverno” é quase um carinho. Foi mais um puxão de orelha em praça pública — daqueles que a mãe dá na frente da vizinhança inteira.
A novela da indicação de Jorge Messias escancarou o que muita gente fingia não ver: o governo de Lula não está conduzindo a orquestra… está tentando adivinhar a música enquanto o Senado troca a partitura.
E aí entra o maestro do bastidor: Davi Alcolumbre.
Rompimento? Não. Isso aí é coisa fina. É política no modo silencioso. Alcolumbre não bate porta — ele muda a fechadura. Ou diz:_Os seus quase 12 bilhões em emendas já não nos bastam.
O que aconteceu não foi um ataque frontal. Foi pior: foi um recado. Você não quiz o meu indicado eu não aceito o seu indicado.
Aquele tipo de recado que não vem em discurso inflamado, mas em silêncio constrangedor. Em demora. Em resistência. Em “vamos ver isso com calma”.
Traduzindo do “senadês” para o português claro:
“Quem manda aqui também somos nós.”
E vamos ser honestos? O Senado cansou de ser figurante. Durante anos, muita indicação passou como quem carimba papel em cartório numa sexta-feira à tarde. Agora não. Agora tem fila, tem cara feia e tem cálculo político até no cafezinho.
Mas cuidado com a euforia dos que já estão abrindo champanhe: isso não é exatamente uma vitória ideológica. É uma vitória de poder. E poder, meu amigo, não tem partido — tem interesse.
O governo errou? Errou sim.
Achou que tinha mais controle do que realmente tem. Política não é sobre quem você nomeia — é sobre quem aceita o nome.
No fim das contas, não foi só sobre Jorge Messias.
Foi sobre um Senado dizendo, com todas as letras não ditas:
“Se quiser jogar, vai ter que negociar. E dessa vez, sem blefe.”
E eu aqui, do meu canto, só observando…
Porque no Brasil, meu caro, até quando parece derrota… alguém está ganhando — só não é quem está falando mais alto.
— Zéka Netta

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