quarta-feira, 22 de abril de 2026

“Entre Caravelas e Migalhas” - Zéka Netta O Capivara News

 


“Entre Caravelas e Migalhas”

Eu fico pensando… se naquele 22 de abril de 1500 eu estivesse ali, sentado na areia, não como herói da história, mas como curioso de beira de mundo.

Talvez eu visse primeiro as caravelas — imponentes, cortando o horizonte como quem não pede licença. Não era só madeira e pano… era intenção. Era destino atravessando o mar com pressa de nomear o que ainda nem sabia existir.

E então o encontro.

Não aquele encontro bonito dos livros, ensaiado em tinta e silêncio. Mas um encontro estranho, desconfiado… de um lado, quem chegava achando que descobria; do outro, quem já vivia ali sem precisar ser descoberto.

Depois veio a carta. Ah… a tal carta. A escrita de Pero Vaz de Caminha, tão cuidadosa, tão descritiva… quase poética. Ele narrou tudo como quem apresenta um presente ao rei: as terras, os corpos, as cores, a inocência. Mas não escreveu sobre o que não cabia nas palavras — o que se perderia dali pra frente.

E eu, sentado ali, talvez já sentisse um gosto estranho no ar.

Porque junto com os espelhos, miçangas e bugigangas, vinha algo maior: a troca desigual. O gesto que parecia generoso, mas carregava um preço invisível.

E sabe… olhando de hoje, eu não consigo deixar de fazer um paralelo incômodo.

Mudaram as caravelas, agora são gabinetes. Mudaram os navegadores, agora usam gravata. Mas, em certos momentos, a lógica parece a mesma.

Antes, davam presentes para encantar.

Hoje, oferecem assistencialismo que muitas vezes não emancipa — apenas mantém dependência. 

Não falo de ajuda necessária, não. 

Falo daquela ajuda que vem com a mesma lógica das miçangas e espelhos: suficiente pra encantar, insuficiente pra libertar.

É como se o tempo tivesse trocado os objetos, mas mantido a intenção em alguns cantos da história.

E eu sigo aqui, meio Zéka Netta das ideias, coçando o queixo da alma e pensando…

Será que aprendemos mesmo com aquele primeiro encontro?

Ou só sofisticamos as formas de repetir?

Porque descobrir o Brasil… foi fácil.

Difícil mesmo parece ser reconhecer quem ele ainda pode ser.

As vezes me acho solitário na maneira como penso e escrevo, porém ainda grito: Brasil, se descubra, se liberte !

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