quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Quebra dos Correios já era prevista

 


Lula fecha 2025, de acordo com a Paraná Pesquisas, com 50,9% de reprovação e 42,8% de aprovação, porém com avaliação ruim ou péssima. Não é opinião, é matemática. E, diferentemente de discursos, números não tropeçam nas próprias sílabas.


O mesmo sujeito que quebrou os Correios no passado conseguiu a proeza de quebrá-los novamente, mesmo após a estatal ter sido recuperada por seu antecessor. Um talento único em destruir duas vezes a mesma coisa e ainda se apresentar como salvador. Mesmo assim, não consegue levar dez pessoas às ruas para defendê-lo — talvez porque nem os Correios entreguem mais esse apoio.


Sua base política hoje é objetiva e mensurável: 4,4 mil novos cargos comissionados, distribuídos como brindes de fim de festa, e um grupo de “artistas” que já não conversa com o povo há muito tempo.


E há o Lula orador. Um espetáculo à parte. O homem que, ao tentar citar a Lei Magnitsky, entregou ao mundo a memorável Lei “Linguistiki” — um momento em que a diplomacia internacional encontrou a fonética do improviso. Discursos que soam menos como estadista e mais como um aluno inquieto da terceira série, com déficit de atenção e excesso de arrogância.


Ainda assim, esse mesmo governo oferece aos brasileiros um presente inesquecível: uma reforma tributária que nos empurra para o pódio mundial da maior carga de impostos, como se pagar mais fosse sinônimo de progresso espiritual. Um país onde o cidadão trabalha como americano, recebe como latino e paga imposto como se morasse na Noruega — sem os benefícios noruegueses, claro.


Portanto, chega de ser idiota útil da polarização. Não é mais sobre torcer pelo A ou pelo B, como se política fosse final de campeonato. A questão é colocar político canalha na geladeira da história e procurar com urgência, mas sem nenhuma emoção, alguém minimamente lúcido, ou com coragem, para nos tirar dessa lama.


O Brasil não precisa de ex-presidiários no poder e nem de torcida organizada. Precisa de vergonha na cara, memória e um dicionário.

E claro que haverá quem dirá que tudo é imaginário que os correios estão ótimos mesmo ao meio de uma greve tardia que começou dia 17, que está mais para justificar a não entrega natalina que reinvidicação , e olha que há o fundo de pensão dos funcionários que também ganharam asas sem tomar redpull.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

O Brasil anda comemorando aniversários estranhos. - Zéka Netta

 


Zéka Netta— com minha caneta molhada de ironia e o olhar desconfiado de quem já viu esse filme... E como... Nasci no início do regime militar.

O Brasil anda comemorando aniversários estranhos... Como diria a música: gente estranha, festa esquisita...

Não se apagam velas — criam absurdos e depois tentam apagar constrangimentos.

O SBT convida governo e STF para celebrar Silvio Santos e lançar o SBT News, como quem diz: “a casa é nossa, mas o silêncio também”. A festa vira editorial, o bolo vem recheado de alinhamento institucional, e o jornalismo nasce já de gravata passada e coluna ereta.

Nos discursos, a tal “verdade venceu”.

Venceu quem?

Em qual arena?

Com qual juiz?

Com quem imparcialidade?

Com quem isenção partidária?

Dizem que a retirada da Lei Magnitsky de Moraes e esposa seria prova de redenção. Não é verdade vencendo — é narrativa respirando aliviada. Verdade não precisa de cerimônia, nem de tapete vermelho, nem de foto oficial. A verdade não pede convite, ela entra pela porta dos fundos e costuma estragar a festa.

As Folhas — no plural mesmo, porque já não se diferenciam — balançam ao vento do patrocínio. Não se sabe se se renderam por medo, por conveniência ou por cansaço. Talvez tenham apenas feito o cálculo mais antigo do mundo: sobreviver custa caro, e resistir custa mais.


Não é que o sistema seja ditatorial — isso seria até honesto demais.

Ele é afetivo, cordial, sorridente.

Abraça enquanto regula.

Aplaude enquanto enquadra.

Financia enquanto molda.

No Brasil, a censura não chega fardada. Chega patrocinada.

Não fecha jornais — compra linhas editoriais.

Não prende vozes — as convida para o coquetel.

E assim seguimos, celebrando aniversários que parecem velórios discretos da crítica, lançando canais de “notícias” já vacinados contra o dissenso, e chamando de maturidade democrática aquilo que, no fundo, é só boa convivência com o poder.

No fim, ninguém precisou se vender.

Bastou aceitar o convite para se banquetear na liberação de propagandas do governo e montar uma equipe do jornal de muitos militantes e soltar uma nota dizendo que o jornal será imparcial...

Eu ri tanto que todos no ônibus olharam para mim...

domingo, 7 de dezembro de 2025

Gilmar, Incitatus, a toga e o silêncio — versão Zeca Neto



Gilmar, Incitatus, a toga e o silêncio — versão Zeca Neto


Calígula nomeou Incitatus para cônsul.

O Senado baixou a cabeça.

O império sorriu.

E Roma entendeu, tarde demais, que o poder não precisa de coerência — só de silêncio.

O gesto não era maluquice.

Era método.

Era mensagem.

Um cavalo não debate, não questiona, não aponta incoerências.

E, às vezes, tudo o que um governante quer é isso: um animal dócil ocupando o lugar onde deveria estar um ser pensante.

Séculos passaram.

Togas mudaram.

A arquitetura ficou mais bonita.

Mas a coreografia continua a mesma.

Hoje, não se leva um cavalo ao Senado.

Leva-se a lei ao estábulo.

E então um ministro, solitário na própria onipotência, decide que apenas um escolhido pode julgar aqueles que usam a mesma toga que ele.

Uma espécie de “controle de qualidade” feito pelo próprio produto.

É aquela velha frase:

“Eu decido quem me julga. E decido também o motivo.”

O Brasil, coitado, assiste.

Zumbilândia institucionalizada.

O país do “deixa assim mesmo, pior não fica”.

Fica.

Porque não se nomeia um cavalo — isso seria escandaloso demais.

Nomeia-se algo mais útil:

o silêncio.

E, com o silêncio, a morte lenta do contraditório.

As democracias antigas sabiam que o poder precisa de coleira curta.

Não por paranoia.

Por experiência.

Quem não coloca limite vira lenda, vira estátua, vira dono da cidade.

Os gregos avisaram, repetidamente:

quando um só detém o direito de falar, a justiça vira oráculo — e não lei.

Sócrates tentou ensinar isso no tribunal.

Não pediu misericórdia.

Pediu razão.

Pediu que os homens continuassem amando o debate.

Foi condenado por ousadia intelectual.

Seu crime?

Pedir explicações.

Hoje, quando alguém tenta tocar nos deuses togados, encontra portões, senhas, filtros, critérios…

Tudo em nome da “ordem”.

Mas que ordem é essa que desaba quando alguém pergunta?

Não é ordem.

É blindagem.

É liturgia do poder servindo apenas ao próprio poder.

Sacerdotes escrevendo o evangelho e proibindo traduções.


Édipo só se cegou depois — quando percebeu que não quis enxergar antes.

A tragédia sempre começa assim:

a cidade prefere o conforto da escuridão à dor da verdade.

Quem pergunta vira inimigo.

Quem questiona vira suspeito.

Quem aponta o óbvio vira subversivo.

E então voltamos ao princípio:

Quando o cavalo virou cônsul, o Senado se calou.

Quando o juiz moderno decide que só uma mão pode tocar nos intocáveis, o povo se cala.

Os representantes do povo de calam... Cadê o Senado ???

O silêncio nunca foi paz.

É sempre aviso.

E estamos, mais uma vez, avisados.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O ÍNDIO QUE ELES INVENTARAM — POR ZÉKA NETTA

 


O ÍNDIO QUE ELES INVENTARAM 

— POR ZÉKA NETTA

Tem coisa que a gente vê e pensa: não é possível que em pleno 2025 ainda tão tentando empurrar essa fantasia pro povo. Mas é possível sim. E a visita do Luciano Huck à aldeia é só mais um capítulo dessa novela antiga, passada e requentada sobre “o índio que eles imaginam”, não o índio que existe.

Porque repare bem: chega lá o apresentador, câmera ligada, produtor cochichando no canto, e a primeira coisa que ele pede é pra turma tirar camiseta, esconder celular, sumir com o que mistura tradição com modernidade, será que esconderam as pickups Hilux? Mas por quê? Porque para a TV — e pior, para muita ONG que vive desse teatro — o indígena só serve se for o personagem do caderno escolar do Paulo Freire da década de 70: sem tecnologia, sem desejo, sem opinião, sem vaidade, sem vida contemporânea. Um “índio imaginário”, desenhado para caber no roteiro deles.

A verdade é que o Brasil moderno não cabe mais nessa fantasia antropológica de documentário com filtro sépia. O indígena de hoje quer iPhone, quer Hilux, quer banheiro de alvenaria, quer tênis de marca. E quer tudo isso porque ele é gente, porque tem desejos como qualquer trabalhador da cidade grande, como qualquer jovem da periferia, como qualquer família que sonha com conforto, dignidade e progresso.

Mas a mídia, ah, a mídia adora um figurino. Adora construir um personagem que não existe: o “guardião da pureza”, o “intocado pelo mundo”, o símbolo folclórico que rende audiência e discurso pronto. E as ONGs idem — porque quanto mais exótica a imagem do indígena, mais fácil justificar projetos milionários e narrativas que não dialogam com o que eles realmente pedem.

O problema é que essa encenação não protege ninguém. Pelo contrário: infantiliza. Congela. Prende os povos originários numa moldura que eles nunca escolheram. Como se modernidade fosse pecado. Como se progresso fosse traição. Como se desejar conforto tirasse deles a ancestralidade. Como se um celular na mão apagasse uma história de séculos.

E aí vem Zéka Netta, eu mesmo, pra dizer:
chega de transformar gente em mascote ideológico.

Quer defender indígena? Comece ouvindo o que ele realmente quer — não o que seu documentário precisa, não o que sua ONG quer vender, não o que seu apresentador quer exibir como troféu social.

Quer proteger cultura? Então pare de tratá-la como museu. Cultura viva muda, cresce, se adapta, se transforma. O indígena não deixa de ser indígena porque anda de caminhonete ou porque usa Instagram. Ele deixa de ser indígena quando o obrigam a representar um papel que não é dele.

Enquanto isso, nos bastidores, a modernidade já corre solta nas aldeias — e graças a Deus. Tem Wi-Fi, tem faculdade, tem empreendedor indígena, tem liderança que lê projeto, edita vídeo, negocia com deputado, administra território. O futuro deles não é uma oca congelada no tempo. O futuro deles é o que eles escolherem viver.

Mas a mídia prefere fantasia. E fantasia, meu amigo, quando é usada pra substituir a realidade, vira mentira.

E mentira, quando se repete demais, vira política.
E política, quando ignora o povo, vira opressão.

Por isso, quando eu vejo alguém mandando indígena esconder celular pra caber na narrativa, eu digo: isso não é respeito. Isso é censura de figurino. É maquiagem social. É transformar pessoa em símbolo — e símbolo em produto.

O indígena não precisa ser “exótico” pra ser respeitado.
Ele precisa ser ouvido.

E pra isso, talvez, quem precise se despir — não de camiseta, mas de presunção — seja a própria mídia.

PARABÉNS PETISTAS VCS SÃO O ORGULHO DA NAÇÃO….👏👏👏👏

 PARABÉNS PETISTAS VCS SÃO O ORGULHO DA NAÇÃO….👏👏👏👏 Janja Lula da Silva ligou para a senadora Soraya Thronicke, relatora do projeto de l...