Zéka Netta— com minha caneta molhada de ironia e o olhar desconfiado de quem já viu esse filme... E como... Nasci no início do regime militar.
O Brasil anda comemorando aniversários estranhos... Como diria a música: gente estranha, festa esquisita...
Não se apagam velas — criam absurdos e depois tentam apagar constrangimentos.
O SBT convida governo e STF para celebrar Silvio Santos e lançar o SBT News, como quem diz: “a casa é nossa, mas o silêncio também”. A festa vira editorial, o bolo vem recheado de alinhamento institucional, e o jornalismo nasce já de gravata passada e coluna ereta.
Nos discursos, a tal “verdade venceu”.
Venceu quem?
Em qual arena?
Com qual juiz?
Com quem imparcialidade?
Com quem isenção partidária?
Dizem que a retirada da Lei Magnitsky de Moraes e esposa seria prova de redenção. Não é verdade vencendo — é narrativa respirando aliviada. Verdade não precisa de cerimônia, nem de tapete vermelho, nem de foto oficial. A verdade não pede convite, ela entra pela porta dos fundos e costuma estragar a festa.
As Folhas — no plural mesmo, porque já não se diferenciam — balançam ao vento do patrocínio. Não se sabe se se renderam por medo, por conveniência ou por cansaço. Talvez tenham apenas feito o cálculo mais antigo do mundo: sobreviver custa caro, e resistir custa mais.
Não é que o sistema seja ditatorial — isso seria até honesto demais.
Ele é afetivo, cordial, sorridente.
Abraça enquanto regula.
Aplaude enquanto enquadra.
Financia enquanto molda.
No Brasil, a censura não chega fardada. Chega patrocinada.
Não fecha jornais — compra linhas editoriais.
Não prende vozes — as convida para o coquetel.
E assim seguimos, celebrando aniversários que parecem velórios discretos da crítica, lançando canais de “notícias” já vacinados contra o dissenso, e chamando de maturidade democrática aquilo que, no fundo, é só boa convivência com o poder.
No fim, ninguém precisou se vender.
Bastou aceitar o convite para se banquetear na liberação de propagandas do governo e montar uma equipe do jornal de muitos militantes e soltar uma nota dizendo que o jornal será imparcial...
Eu ri tanto que todos no ônibus olharam para mim...

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