Zéka Netta comenta Caito Maia e o “case” Chili Beans
Ah, o Brasil... aqui até empréstimo de 30 milhões do BNDES soa como se fosse esmola para visionário. Caito Maia, o gênio por trás da Chili Beans, resolveu provar que capitalismo à brasileira é isso: pegar dinheiro público barato, chamar de “inovação” e entregar, em quatro anos, a fantástica marca de 700 empregos. Isso dá mais ou menos 42 mil reais por vaga. Não é geração de emprego, é concurso de luxo. Se o objetivo era “inclusão”, parabéns: conseguiu incluir o trabalhador na categoria de investimento milionário por CPF.
Sem mencionar que para qualquer outro empreendedor que não seja amigo do rei pegar míseros 10 mil se torna uma jornada exaustiva e desmotivante, enquanto outros pegam milhões para fazer manutenção em franquias que já foram pagas...
Mas calma, não é só isso. O mestre ainda declarou que vai abandonar o dólar para negociar apenas em renminbi, a moeda chinesa. Que ousadia! Que vanguarda! Que suicídio comercial em câmera lenta! Enquanto o resto do planeta ainda depende do dólar como referência de comércio internacional, a Chili Beans decide brincar de Pequim fashion. É quase como trocar o feijão com arroz por miojo de wasabi e esperar que o brasileiro ache “gourmet”.
A ironia? O movimento pode gerar boicote espontâneo à marca, principalmente porque o consumidor brasileiro, quando sente cheiro de alinhamento automático com a China, reage com o mesmo entusiasmo de quem descobre que os óculos “estilosos” custaram mais caro que a passagem para Miami. Chili Beans pode até posar de “global player”, mas corre o risco de virar só mais uma loja vazia em shopping, com aquele vendedor entediado arrumando armação de acrílico pela milésima vez no dia.
E cá entre nós: quem pega 30 milhões do BNDES para brincar de geopolítica com óculos coloridos deveria, no mínimo, explicar ao contribuinte se o próximo modelo vem com lentes que filtram também propaganda ideológica. Porque o brasileiro já cansou de financiar delírios privados com dinheiro público.
No fim, Zéka Netta diria: a Chili Beans quis ser hypie, mas pode acabar sendo apenas mais um exemplo de empresa que confundiu esperteza com estratégia. O risco? Descobrir que a vitrine chinesa não tem o mesmo apelo que o camelô da 25 de Março — e que, no fim, quem pagou a conta fomos nós, os eternos queijos do banquete.

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