sábado, 16 de agosto de 2025

A Culpa é do queijo diz a ratazana ! - Capivara News



Estava eu, Zeka Netta, agora pouco sentado no majestoso trono quando ao pincelar com o dedo na tela do celular me veio a frase :


 "O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo”


(Millôr Fernandes, mas bem poderia ser uma manchete de ontem.)


No Brasil, a criatividade não está apenas na música, no carnaval ou na literatura. Está, sobretudo, na arte política da desculpa. Somos campeões mundiais em transformar o culpado em vítima e o explorador em coitado. A frase de Millôr expõe isso com uma simplicidade cruel: aqui, até o rato consegue convencer que não devorou a despensa, mas que foi o queijo que o seduziu.


E como bons brasileiros, compramos a narrativa com gosto. Afinal, é mais fácil culpar o queijo do que enfrentar o rato. Assim, o corrupto vira “perseguido político”, o empresário fraudulento se torna “gerador de empregos”, o estelionatário é “visionário do mercado” e o nepotismo nada mais é do que “tradição de família”. O queijo, coitado, sempre carregando o fardo.


Na lógica tupiniquim, o problema nunca é o ladrão, mas a tentação. Nunca é o desvio de verba, mas a burocracia que “forçou” o atalho. Nunca é a má-fé, mas o “sistema” que empurra para a trapaça. É como se a corrupção fosse uma compulsão alimentar: o político vê o queijo e não consegue resistir, pobrezinho, vítima de seus instintos. A plateia até compreende: “no lugar dele, eu faria igual”. Eis o caldo cultural onde o rato floresce e o queijo apodrece.


Zeca Netta diria: o Brasil não é um país de ratos, é um condomínio de ratos. Uns roem, outros aplaudem o roído, e muitos ainda defendem que sem ratos o queijo estragaria mais rápido. Vivemos numa lógica invertida em que o erro se justifica pelo cenário e a culpa nunca repousa sobre o autor. É a síndrome da vítima premiada.


E não para por aí. Quando alguém ousa apontar o dedo e dizer “o rato comeu o queijo!”, logo surge uma comissão, um inquérito ou uma CPI para investigar a real responsabilidade do queijo. Talvez o queijo estivesse mal acondicionado. Talvez tenha exalado aroma em excesso. Talvez tivesse buracos demais, e aí o rato só aproveitou a oportunidade. Resultado: o queijo é condenado, o rato é reeleito e o povo continua passando fome.


A genialidade de Millôr está em nos mostrar que, no Brasil, não basta o crime ser cometido; ele precisa ainda ser revestido de glamour e narrativa. Aqui, até o queijo é réu confesso, e o rato sai pela porta da frente, ovacionado.


No fundo, o maior queijo somos nós: massa mole, fatiável, fácil de manipular e sempre à disposição para ser devorada. E enquanto aceitarmos essa farsa, seguiremos nesse rodízio infinito em que o queijo é culpado e o rato é apenas “um produto das circunstâncias”.


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