sábado, 16 de agosto de 2025

“A infância no Brasil sempre foi uma mercadoria em liquidação.”- Capivara News

 


“A infância no Brasil sempre foi uma mercadoria em liquidação.”

Por Zéka Netta o Observador Cívico da República Capivarada 

Nos anos 90, ninguém via problema em criança subindo no palco do Domingo Legal para dançar na boquinha da garrafa. O país inteiro assistia, e os adultos riam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os apresentadores incentivavam, a câmera descia o ângulo e os pais, orgulhosos, acenavam da plateia. A cena parecia uma caricatura de inocência, mas não havia nada de inocente. Havia espetáculo, havia audiência, havia mercado.

A TV brasileira fez escola: ensinou que criança não é criança, é espetáculo. E não um espetáculo de ternura, mas de sensualidade precoce. Virou produto para vender audiência, merchandising e anúncio de margarina

E o curioso é que não era só a TV: a cultura inteira empurrava a criança para fora da infância. Roupas adultas em tamanho infantil, concursos de “mini-miss”, publicidade que explorava olhares insinuantes. Ou seja: antes mesmo de o TikTok existir, a gente já sabia transformar criança em produto de desejo.


Avançamos para 2025, e o palco mudou de endereço. Agora não é mais o auditório do Gugu, é a sala de estar de qualquer apartamento. Não precisamos mais de emissoras: basta um celular. Pais e mães, muitas vezes bem-intencionados na superfície, mas seduzidos pela lógica da fama e do dinheiro fácil, usam seus filhos como conteúdo. Dancinhas, desafios, trends que imitam gestos sensuais de adultos — e tudo isso sob a desculpa de “fofura”. A diferença é que antes os donos da emissora lucravam; agora, são os próprios pais.

Reforçando: Criança fazendo dancinha sensual, repetindo bordão de duplo sentido, reproduzindo gestos e olhares que não nasceram delas, mas da necessidade dos pais de monetizar a infância alheia. O que antes era contrato com emissora, agora é patrocínio de marca de roupa infantil “fashion”, que veste menina de 9 anos como se fosse influencer de 25, tem criança com tatuagem, criança fazendo levantamento de peso, menino usando croped e querendo se chamar Beyoncé. 


E aqui a crítica social é inevitável: quando a família se transforma em produtora de conteúdo, o limite ético desaparece. O que antes era exploração terceirizada virou autogestão da exploração. A criança cresce sem filtro, sem privacidade, com a vida exposta e sexualizada desde cedo. Isso gera consequências profundas: autoestima dependente de curtidas, sexualidade deformada pela lógica da performance, ausência de uma infância segura e livre.



E nós, sociedade, repetimos o papel de plateia cúmplice. Aplaudimos, comentamos, incentivamos, como se fosse apenas “tendência”. O problema é que, ao normalizar essa exposição, também naturalizamos a violência simbólica e, muitas vezes, material contra a criança. Não é à toa que o Brasil ocupa rankings vergonhosos de abuso e exploração infantil. A cultura que aplaude a sexualização é a mesma que depois se choca com os crimes — mas sem nunca ligar uma coisa à outra. Aplaude de novo, basta se uornar modinha oi alguémdizer que está ganhando dinheiro. Só trocam o comentário: antes era “olha que graça, dançando no Gugu”, agora é “meu Deus, já é um mulherão” ou “esse menino é um conquistador nato”, mesmo sabendo que houve menina grávida em escola particular depois da roleta da rola russa. A mesma sociedade que depois finge choque quando descobre um caso de abuso, tráfico ou exploração. Hipocrisia é pouco: é cinismo institucionalizado.

O Felca expõe um incômodo que fingimos não ver: a infância no Brasil nunca foi território protegido. Sempre foi moeda de troca, seja para audiência televisiva, seja para engajamento digital. Hoje, mais do que nunca, precisamos perguntar: até quando aceitaremos sacrificar a infância no altar da vaidade e do lucro?


Atendimento informativo: 

Uma criança pode achar que está apenas brincando... mas para quem assiste, pode ter outro significado.

Hoje, muitos conteúdos nas redes sociais mostram crianças reproduzindo poses, danças e falas sem entender a conotação sexual e isso aumenta o risco de exposição e até de abuso.

O papel dos adultos é proteger:

Acompanhar o que elas postam e consomem

Conversar sobre limites e respeito

Evitar expor imagens que possam ser mal interpretadas

Denunciar conteúdos que sexualizem menores

Promovendo Justiça é também cuidar para que cada criança viva sua infância de forma plena e segura.

Se você também acredita que a infância é sagrada, compartilhe este post para que mais pessoas entendam a importância de proteger nossas crianças.

Disque 100 para denunciar casos de exploração infantil.

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