Transparência virou discurso, sigilo virou prática.
Enquanto cofres se fecham no Planalto, jornalistas militantes ensaiam críticas tímidas e o cidadão segue no escuro, pagando a conta de um governo que promete democracia, mas governa em segredo.
Zéka Netta Opina Sobre o Governo do “Sigilo do Bem”
Eu confesso: sempre achei curioso esse novo conceito de democracia brasileira — aquela em que o povo vota, paga imposto e depois é gentilmente convidado a não fazer perguntas.
Porque perguntar demais agora é coisa de extremista.
Querer saber onde o dinheiro foi parar é atentado institucional.
E pedir transparência virou quase um pedido de golpe.
O lulismo atual descobriu algo genial:
o sigilo não é falta de transparência — é proteção emocional do governo.
Protege o gestor da ansiedade.
Protege o gasto da vergonha.
E protege o cidadão… da verdade.
Tudo agora entra em sigilo:
agenda, gastos, encontros, viagens, contratos, cafezinhos e, se bobear, até o espelho do banheiro do Planalto.
Porque vai que alguém veja o reflexo e faça uma pergunta incômoda.
E o mais bonito é o discurso:
“É pelo bem da democracia.”
Sempre é.
Ditadura é quando o outro faz.
Quando é o nosso lado, chama-se sigilo sensível com amor social.
Prometer transparência é fácil. Difícil é explicar por que o governo prefere o cofre fechado e a imprensa, às vezes, prefere não olhar a combinação.
Agora, vamos falar dos jornalistas militantes, essas criaturas místicas que vivem num eterno conflito interno entre a profissão e o panfleto.
De vez em quando, soltam uma “nota crítica”.
Mas é uma crítica tímida, educada, quase pedindo desculpa por existir:
— “Olha, a gente até achou estranho esse sigilo todo… mas calma, veja bem, o contexto, a conjuntura, o bolsonarismo, o fascismo, o aquecimento global e o Mercúrio retrógrado.”
No fim, a nota parece menos jornalismo e mais assessoria de danos.
A pergunta que fica é simples — e dói: 👉 Essa “crítica” serve para revelar a verdade
ou só para manter a ilusão de que ainda existe imprensa independente enquanto a propaganda segue intacta?
Porque transparência de verdade não escolhe governo.
Não tem lado.
Não pede licença ideológica.
Ou é transparência —
ou é escuridão bem maquiada.
E o povo, coitado, segue no escuro…
mas agora com a elegante explicação de que não pode acender a luz, porque atrapalha a narrativa.
No Brasil de hoje, saber demais virou suspeita.
E governar sem ser questionado virou virtude.
Mas calma…
se você reclamar, ainda vão dizer que o problema não é o sigilo.
É você.
— Zéka Netta
O uso sistemático do sigilo escancara o abismo entre o discurso democrático e a prática governamental — e revela uma imprensa seletivamente vigilante, sempre mais confortável quando o segredo vem do lado certo.
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Zéka Netta — humor ácido, sarcasmo afiado e aquela cutucada cirúrgica nos jornalistas militantes que fingem fiscalizar enquanto passam pano institucional.

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