domingo, 26 de outubro de 2025

“Os traficantes são vítimas” — o novo evangelho do desgoverno. - O Capivara News

 


“Os traficantes são vítimas” — o novo evangelho do desgoverno


Por Zéka Netta – O Capivara News


O desgoverno acordou um belo dia e resolveu reinventar o dicionário moral do país.

Agora, segundo o iluminado discurso oficial, traficantes são vítimas dos usuários.

Sim, você leu certo. A lógica é simples — e absurda: quem compra droga oprime quem vende.

É como dizer que o assaltante sofre por causa do medo da vítima, ou que o político desvia verba porque o eleitor o pressiona com votos demais.

A retórica é tão cínica que beira o stand-up.

Mas não é piada — é política de Estado travestida de empatia. Porém empatia aos seus pares.

Enquanto o mundo fala de narcotráfico como problema de poder e corrupção, por aqui tentam transformar o traficante num coitado do sistema, um mártir de esquina com direito a redenção pública.

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A vitimização como instrumento de controle


Não se trata de um deslize verbal. É estratégia discursiva.

A lógica é simples: se todo criminoso for vítima, ninguém mais é culpado.

O roubo é “ato de necessidade”.

O desvio de verba é “redistribuição social”.

A compra de votos é “negociação democrática”.

E o tráfico é “resposta à exclusão”.

É o manual da desculpa perfeita, impresso na gráfica estatal da hipocrisia.

O problema é que, enquanto o discurso amacia o crime, o país endurece para o cidadão comum.

O trabalhador que atrasa imposto vira sonegador; o político que esconde milhões nas cuecas é “mal interpretado”.

É a inversão moral completa: o crime se humaniza, a honestidade vira burrice.

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Narcoestado: quando o poder se olha no espelho e se apaixona pelo próprio cinismo


Enquanto isso, lá fora, os EUA alertam: a América Latina vive o risco do narcoestado.

Mas o que temos aqui é ainda mais perverso — um narciestado.

Um governo tão apaixonado pelo próprio reflexo que prefere maquiar o crime a combatê-lo.

É o narcisismo institucionalizado: o poder se olha no espelho rachado e se acha bonito, mesmo coberto de lama.

E enquanto a elite política posa de salvadora, o tráfico segue operando com licença tácita, os cofres públicos sangram por “emendas de ocasião”, e os discursos humanitários são usados como desodorante ideológico pra encobrir o cheiro do desvio.

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O santo traficante e o demônio eleitor


Nesse teatro tragicômico, o traficante é o “vítima social”, e o eleitor indignado é o “reacionário opressor”.

Quem questiona é acusado de “falta de compaixão”.

Afinal, como ousar culpar alguém que apenas “reage ao sistema”?

Ora, o mesmo argumento serve pra todo mundo — do ladrão de galinha ao ladrão de ministério.

E assim o país vai se acostumando ao discurso da inversão moral,

onde a compaixão se transforma em desculpa e a justiça em teatro.

A palavra “vítima” virou curinga: cabe no traficante, no corrupto, no político com conta offshore e até no empreiteiro preso por engano — o engano de ter sido pego.

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O usuário, sim, é vítima — mas de um sistema que alimenta o crime

O usuário não oprime o traficante. Ele é parte da engrenagem explorada por um mercado que o Estado finge combater e na verdade administra de longe.

Sem política pública séria, sem prevenção, sem estrutura de saúde mental, o usuário é só mais um corpo rentável na estatística — uma peça na máquina que lucra com o caos.

Mas é mais fácil culpar a vítima do que encarar o espelho.

É mais confortável transformar o bandido em mártir do que enfrentar o fato de que o Estado perdeu o controle e agora escreve poesia social sobre a própria incompetência.

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O evangelho da inversão


E assim nasce um novo evangelho:

> “Bem-aventurados os que traficam, porque deles será o reino da justificativa.”

“Bem-aventurados os corruptos, porque deles é o poder.”

“Bem-aventurados os que distorcem, porque deles é o discurso.”


Enquanto o país afunda, o desgoverno escreve parábolas em nome da “humanização”.

Mas não é compaixão. É cálculo.

A vitimização generalizada é a anestesia perfeita: todo mundo com pena, ninguém com coragem.

E o crime, vestido de coitadinho, passa ileso pela multidão vai do batedor de celular ao distribuidor de drogas e pulverizador de fuzis pelas ruelas das favelas, ah esqueci m, não pode, mudaram de nome: comunidades.

Afinal, ninguém prende um anjo caído — ainda mais quando o altar é o próprio Estado.

Amém!

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Zéka Netta – O Capivara News

"Porque até a lama tem espelho."



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