quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Estamos Criando Monstros? O Risco das Sanções e a Retaliação Interna

 


Estamos Criando Monstros? O Risco das Sanções e a Retaliação Interna

Por Zéka Netta sempre com seus olhos capivarianos atento ao que acontece no país, ao olhar assustado a Primeira Dama na ONU vestida com a jaqueta pró Palestina - assustado porque segundo seu currículo ela seria formada em sociologia, mas desconhece aquilo que busca defender. É como o grupo da flotilha cheio de homoafetivos que estão indo defender grupo de terroristas que os jogariam de prédios e decapitariam por serem quem são, é uma ânsia de serem subjugados, me faz lembrar da música popularizada por Fábio Jr. que diz: _ Deixam o céu por ser escuro e vão ao inferno a procura de luz! E aqui ouvimos os absurdos do discurso do descondenado e o anzol em que caiu ao cruzar com Trump, pois naõ poderá mais dizer que não lhe querem dar diálogo, agora se for na reunião será obrigado a conversar e se não comparecer mostrará ao mundo que quem não quer dialogo é ele e não Trump. Mas pensava sobre isso a alguns dias... ESTARÍAMOS CRIANDO MONSTROS?!

Introdução

O Brasil vive um momento em que o povo clama por justiça contra corruptos, violadores de direitos e usurpadores do bem comum. Muitos veem nas sanções internacionais — perda de vistos, bloqueio de bens e a aplicação da Lei Magnitsky — um caminho de reparação. Mas é preciso refletir: o que acontece quando figuras com sede de poder, ao perderem privilégios lá fora, decidem descarregar sua frustração aqui dentro? Estaremos criando monstros encurralados que podem se voltar contra nós?


O Olhar Psicológico

Na psicologia política, Hannah Arendt já alertava que regimes autoritários não aceitam limites pacificamente; eles precisam de um inimigo para canalizar frustrações. Autores como Erich Fromm também explicam que indivíduos com fome de poder costumam responder a perdas com agressividade, não com introspecção. Assim, elites sancionadas tendem a projetar sua raiva contra o povo que as rejeita, reforçando mecanismos de medo e submissão.


O Olhar Sociológico

Sociologicamente, Pierre Bourdieu ajuda a entender como o poder se reproduz: elites acumulam capital não apenas econômico, mas simbólico. Quando perdem prestígio internacional, podem buscar reafirmá-lo internamente, radicalizando discursos nacionalistas e reforçando hierarquias sociais. A repressão, nesse contexto, é uma estratégia de sobrevivência. Michel Foucault também lembra que o poder se exerce, sobretudo, pelo controle dos corpos e das condutas — e um regime acuado tende a intensificar esse controle.


O Olhar Político

Politicamente, sanções externas são instrumentos de pressão que funcionam apenas se articulados a forças internas de transformação. Guillermo O’Donnell, ao estudar democracias frágeis na América Latina, mostrou que elites autoritárias acuadas não desaparecem sozinhas: elas precisam ser contidas por instituições sólidas, sociedade civil vigilante e participação cidadã. Caso contrário, usam o isolamento externo como argumento de “defesa da pátria” e aumentam sua centralização de poder. O risco é a retaliação virar política de Estado.


O Olhar Filosófico

Do ponto de vista filosófico, Maquiavel já advertia que governantes que perdem a estima externa recorrem à força interna para manter autoridade. Nietzsche, por outro lado, nos ajuda a entender a lógica da “vontade de poder”: quando frustrada, ela não desaparece, mas procura novas formas de se afirmar. E aqui está o perigo — elites sancionadas podem transformar sua impotência global em violência local. O povo, sem perceber, se torna o campo de batalha da raiva dos poderosos.


O Risco Real

Esse medo não é fantasia. Há registros históricos — da União Soviética de Stálin ao Zimbábue de Mugabe — de líderes isolados internacionalmente que reagiram com brutalidade interna. O que definirá o rumo do Brasil não é apenas quantos vistos ou contas bancárias serão congelados, mas a capacidade da sociedade de resistir às represálias, fortalecer instituições e não cair na armadilha da apatia.

Maquiavel.

Em O Príncipe (1532), mostra que quando governantes perdem poder, prestígio ou estabilidade, tendem a usar todos os meios possíveis para manter-se no comando. E aí entra o ponto maquiavélico: se não podem mais ostentar alianças ou legitimidade no exterior, buscam reafirmar sua autoridade pela força interna — controle, intimidação, vingança.

Em termos simples:

  • Para Maquiavel, é melhor ser temido do que amado, se não for possível ser ambos.

  • Um líder acuado, sem reconhecimento externo, reforça o medo interno para evitar perder tudo.

  • O povo, nesse cenário, corre o risco de virar a moeda de troca: quanto mais a elite perde lá fora, mais tenta se afirmar cá dentro.

O seu medo dialoga exatamente com essa lógica: sanções externas que isolam elites podem deixá-las como “feras enjauladas” que, para não parecerem fracas, voltam sua agressividade contra quem está ao alcance.

👉 Meu medo em raciocinar esta prospecção é maquiavélico no melhor sentido — atento à dinâmica realista do poder, que raramente se move por moralidade, mas por interesse e autopreservação.

O uso do povo como moeda de troca ao poder absoluto

Na lógica maquiavélica de “moeda de troca”. Não é só uma questão jurídica: é vivido como um embate de poder.

🔎 Do ponto de vista maquiavélico:

  • Um governante ou líder político que sente o chão ruir sob seus pés tende a transformar sua própria sobrevivência em questão de Estado.

  • Quando punido ou julgado, pode acionar narrativas de perseguição, transferindo para o povo o peso da sua luta pessoal.

  • Isso funciona como chantagem implícita: “se me derrubam, derrubam também vocês, meus seguidores”.

👉 Ou seja, em vez de assumir as consequências, ele transforma o processo em espetáculo político, tentando converter derrota em força, punição em combustível.

Isso se conecta à ideia da “moeda de troca” que você trouxe: ele sabe que não pode mais negociar prestígio no exterior ou apoio institucional amplo, então busca barganhar com o medo interno — seja o medo de perseguição, de caos ou de ruptura democrática.

Se olharmos por esse prisma, seu julgamento não é apenas jurídico, mas também um palco de poder, onde ele testa até onde pode usar a população como escudo e como trunfo.

Acabamos de testemunhar isso com o julgamento de Jair Bolsonaro no Brasil ilustra bem essa lógica maquiavélica da “moeda de troca”. Diante da perda de legitimidade internacional e das restrições judiciais internas, ele tenta transformar sua própria defesa em uma causa coletiva, apresentando-se como vítima de perseguição e mobilizando sua base para reagir. Essa estratégia desloca o peso das consequências individuais para a sociedade, convertendo punição em narrativa de resistência. Em vez de reconhecer responsabilidades, aposta no medo e na divisão como instrumentos de sobrevivência política.


Conclusão

É justo exigir que corruptos e violadores sejam punidos. Mas precisamos compreender que sanções externas, sozinhas, podem alimentar monstros encurralados. A resposta política, psicológica, sociológica e filosófica aponta para a mesma direção: sem mobilização interna, sem cidadania ativa e sem fortalecimento democrático, esses monstros voltarão sua fúria contra o povo. O Brasil precisa abrir os olhos: a verdadeira vitória não está em vê-los barrados em aeroportos estrangeiros, mas em garantir que nunca mais possam usar seu poder contra nós.


Referências Bibliograficas

ADORNO, T. W.; FRENKEL-BRUNSWIK, E.; LEVINSON, D. J.; SANFORD, R. N. The Authoritarian Personality. New York: Harper & Brothers, 1950.

ARENDT, H. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1951.

BOURDIEU, P. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

DAHL, R. A. Polyarchy: Participation and Opposition. New Haven: Yale University Press, 1971.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. Petrópolis: Vozes, 1975.

FROMM, E. O Medo à Liberdade. Rio de Janeiro: Zahar, 1941.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 1651.

LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as Democracias Morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Várias edições. 1532.

NIETZSCHE, F. Além do Bem e do Mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1886.

O’DONNELL, G. Delegative Democracy. Journal of Democracy, v. 5, n. 1, p. 55-69, 1994.

WEBER, M. Economia e Sociedade. Brasília: Editora da UnB, 1922.

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