A Cegueira Barrosística
Por Zéka Netta
Meus amigos, se um dia você tropeçar na rua, bater a canela e cair, não se preocupe: segundo o ministro Barroso, você não caiu. A realidade é só uma “interpretação equivocada da Constituição pela gravidade da calçada”.
Barroso, esse poeta do Supremo, conseguiu transformar a Constituição em uma espécie de carta de tarô: abre-se, interpreta-se, fecha-se, embaralha de novo, e – surpresa! – sempre sai a carta que eles já queriam que saísse.
Dizem por aí que o STF é guiado por provas e diretrizes constitucionais. Provas? Talvez aquelas provas de múltipla escolha que a gente fazia no primário, porque as de hoje parecem não ter gabarito. E a Constituição? Ah, essa virou aquele livrinho de bolso que cada um usa pra apoiar a mesa bamba.
Barroso insiste que segue a lei. É como se o padeiro dissesse que segue a receita do pão, mas só entregasse broa queimada. O STF hoje mais parece buffet de quermesse: cada ministro vai pegando o que gosta. Um leva “direitos fundamentais”, outro “controle de narrativas”, e no final alguém sempre fica com o pastel de vento.
E a tal cegueira de Barroso? Convenhamos: não é cegueira, é visão seletiva. Ele enxerga tudo com clareza cristalina… desde que esteja escrito em fonte 72, negrito e itálico na pauta que interessa. O resto é ofuscado pela poeira da “hermenêutica criativa”.
No fundo, o problema não é ele estar cego. O problema é que ele insiste em dizer que nós é que não estamos vendo direito.
Enquanto isso, a Constituição, essa senhora idosa e cansada, vai sendo usada de guarda-chuva em dia de sol, de pano de chão em dia de lama, e de véu em casamento forçado entre política e justiça.
Mas fiquemos tranquilos: Barroso já garantiu que está tudo nos conformes. É a lei. Ou melhor, é a “lei Barrosística de acomodação da realidade”.
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👉 E assim seguimos, entre tapas, toga e ironia. Porque no fim das contas, meus caros, a única coisa que o STF segue mesmo é o Wi-Fi do Planalto.

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