domingo, 4 de janeiro de 2026

Quando a hipocrisia atinge o seu máximo na ideologização - Zéka Netta - O Capivara News...

Quando o lugar de fala é respeitado… até falar demais

Eu, Zéka Netta, observo com uma mistura de espanto e cansaço a cena repetida:

os mesmos que passaram anos ensinando o mundo sobre lugar de fala, vivência, escuta sensível e protagonismo do oprimido, agora se apressam em desqualificar, julgar e até ridicularizar os venezuelanos que comemoram a queda de Nicolás Maduro.

De repente, o lugar de fala ficou condicionado.

Só vale se disser o que a cartilha aprova.

O oprimido é válido… até contrariar a narrativa

Durante anos, ouvimos que ninguém de fora podia opinar sobre a Venezuela.

Que só os venezuelanos sabiam o que viviam.

Que era preciso respeitar sua dor, sua fome, seu exílio.

Mas bastou parte desse povo festejar o fim de um ditador para que o discurso mudasse:

— “Estão manipulados.”

— “Não entendem o processo histórico.”

— “São massa de manobra do imperialismo.”

Curioso como, nesse instante, o povo deixa de ser sujeito e vira objeto explicativo.

A esquerda que ama o povo… desde que ele obedeça

O que está em jogo não é a Venezuela.

É algo mais profundo e mais incômodo: a dificuldade de parte da esquerda em aceitar que o povo real não é o povo idealizado.

O povo real:

sente medo

sente alívio

comemora o fim de quem o oprimiu

não escreve tese, escreve reação

Quando esse povo reage fora do script, ele vira problema.

E aí surgem os intelectuais de gabinete, explicando ao refugiado o que ele deveria sentir.

Isso não é solidariedade.

É paternalismo autoritário com verniz progressista.

Ditadura boa é a que confirma a ideologia

Existe uma hipocrisia difícil de disfarçar:

ditaduras de direita são chamadas de ditaduras.

ditaduras “do nosso campo” viram “processos complexos”, “experiências populares” ou “resistências imperfeitas”.

Maduro não caiu para esses setores porque foi ditador.

Caiu porque escancarou o fracasso moral de uma narrativa que preferia ignorar prisões arbitrárias, mortes em protestos e milhões de refugiados.

E quando a realidade entra pela porta, a ideologia costuma sair pela janela — mas gritando.

Por que isso acontece?

Acontece porque há mais apego à ideia do que às pessoas.

Porque reconhecer o sofrimento real dos venezuelanos implica admitir que o projeto defendido falhou — e falhou feio.

Acontece porque é mais confortável chamar o povo de alienado do que rever certezas.

Porque é mais fácil acusar a festa do oprimido do que encarar o próprio silêncio cúmplice.

O que eu afirmo, sem rodeios

Eu, Zéka Netta:l, lhe digo;

Quem só respeita o lugar de fala quando ele confirma suas crenças

não defende o povo — defende a si mesmo.

O venezuelano que festeja não está traindo a causa.

Está respirando depois de anos submerso.

E isso, gostem ou não, também é política.
 


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