ZÉKA NETTA RESPONDE: “A JUVENTUDE ESTÁ CONTAMINADA!”
Rapaz… contaminada é pouco.
A juventude hoje tá tão “pura”, mas tão “livre de influências”, que repete discurso pronto com a mesma convicção de quem decorou a tabuada sem entender o que é multiplicação.
E aí você tenta conversar, pede para o menino explicar o que está defendendo…
— “Eu? Manipulado? Jamais! Manipulado é você, boomer! Eu sou livre!”
Livre igual pipa sem linha: o vento sopra, ela vai.
O vento para, ela cai.
O problema não é ter opinião — isso é lindo, isso é humano.
O problema é achar que paixão é argumento e que slogan é pensamento.
A juventude hoje está vivendo o sonho dourado de qualquer político esperto:
um público inflamado, emocionalmente vulnerável, e com a sensação heroica de que está “lutando contra o sistema”… enquanto defende justamente o discurso que o sistema enfiou no colo desde o jardim de infância.
Não é culpa dos meninos, não.
Eles cresceram entre:
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professor que acha que sala de aula é comitê,
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influencer que confunde lacração com sabedoria,
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e político que só falta colocar glitter pra parecer aliado da rebeldia alheia.
Resultado?
Uma juventude treinada como cão de exposição:
senta, late, defende o partido como se fosse dono.
E ainda rosna se você diz que tá sendo adestrado.
“Mas Zéka, como descontaminar a juventude?”
Aí é que tá: descontaminar não é arrancar crença à força.
Não funciona na base do grito.
Funciona com anticorpo intelectual.
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Ensinar o menino a perguntar “por quê?”
Se a frase não sobreviver a cinco “por quês” seguidos, é narrativa, não é ideia. -
Trocar militância cega por curiosidade ativa.
Curioso não vira gado de ninguém. -
Mostrar que ler Marx, Freire, Gramsci… não é problema.
O problema é ler só eles.
Dieta ideológica é igual dieta alimentar: se comer só um grupo, fica anêmico. -
Incentivar pensamento, não torcida.
Pensar dói, mas fortalece. Torcer só cansa. -
E principalmente: criar ambientes onde discordar não seja crime.
Onde não vire excomunhão social.
Onde o jovem perceba que liberdade não é gritar, é pensar.
Porque se o garoto nunca aprendeu a pensar com a própria cabeça, sempre pensará com a de alguém — só não vai admitir.
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