O Brasil, sempre ele, resolveu nos presentear com mais um espetáculo. Não, não é um novo reality show, embora tenha todos os ingredientes: drama, suspense, personagens peculiares e uma audiência que se divide entre a paixão e o ódio. Estamos falando do julgamento do ex-presidente, que chega ao Supremo Tribunal Federal com o peso de uma nação inteira nas costas.

A cena se arma como um teatro de marionetes. De um lado, o réu, que já foi chefe de Estado, mas agora parece mais um ex-ator de novela tentando reviver a fama com uma turnê de despedida. Sua defesa, com um otimismo digno de quem espera a chuva no deserto, alega que tudo não passa de perseguição política. Os argumentos soam tão originais quanto a ideia de colocar queijo ralado em macarrão.

Do outro lado, o plenário do STF, o palco principal. Os ministros, em suas togas escuras, parecem mais personagens de um filme de suspense, prontos para desvendar um mistério que já foi transmitido ao vivo para milhões. A expectativa é palpável: o Brasil inteiro se debruça sobre a TV Justiça, aclamando ou execrando cada fala, como se fosse um jogo de futebol decisivo.

Os crimes em questão? Tão grandiosos que parecem roteiro de filme. Tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros títulos pomposos. É quase como se o ex-presidente tivesse tentado, com uma trama de pé-de-moleque e brigadeiro, derrubar a Fortaleza do Planalto. A ironia é que a ousadia contrasta diretamente com a aparente falta de planejamento, que, segundo a acusação, se baseou mais em discursos e ameaças do que em qualquer plano de ação minimamente eficaz.

No fim, a plateia fica com a sensação de que, não importa o veredicto, o espetáculo já valeu a pena. A condenação ou a absolvição, para muitos, é apenas o último ato. O que fica de verdade é a certeza de que a política brasileira nunca será chata. E, se houver prisão, talvez sirva de inspiração para um novo reality show, "A Fazenda: Presidencial Edition", onde o grande prêmio é a liberdade. E assim, o show continua.